Segundo o jornal Folha de São Paulo, "as críticas da CNBB ao governo Sarney", feitas, anteontem, em Brasília, na reunião da CEP (Comissão Episcopal de Pastoral), "não representa a unanimidade do pensamento dos bispos brasileiros". A CNBB manifestou descontentamento com o que considera recuo do governo no tratamento de questões como a reforma agrária e convocação da Assembléia Constituinte. Conforme o jornal, o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Cláudio Colling, discorda das críticas da CNBB por entender que "o governo é quem sabe onde o sapato aperta" e sugeriu que a Conferência "confie na boa vontade e na reta intenção do presidente Sarney". "Estamos decepcionados com os resultados da Nova República, disse o arcebispo de João Pessoa (PB), dom José Maria Pires. Ele acrescentou que "não pode existir Nova República com uma classe política velha como a que temos no Brasil" e afirmou que a Igreja "está descuidando da formação da nova classe política de que o país precisa". Para ele, o Plano Nacional de Reforma Agrária, em sua nova versão, "representa um retrocesso para antes do Estatuto da Terra" e o Congresso Constituinte fere a vontade nacional. O cardeal de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, sem se aprofundar no assunto, disse que concorda com a opinião da CNBB. Para o arcebispo de Manaus (AM), dom Clóvis Frainer, "os rumos de duas grandes prioridades não estão bem definidos". Em sua opinião, a Igreja "tem dois interesses básicos: a implantação da justiça social e uma participação mais consciente do povo". Dom Cândido Padin, de Bauru (SP), apóia as preocupações da CNBB e diz que "a Igreja só pode opinar sobre o pacto social quando conhecer precisamente seus termos". Ele espera uma "correção" no PNRA, com a inclusão dos latifúndios improdutivos (FSP).