A aceleração nas remarcações de preços é mais um processo de recomposição dos prejuízos que as empresas tiveram no primeiro semestre deste ano do que uma atitude defensiva ante um novo choque econômico na linha dos pacotes anteriores. Existe, entretanto, uma parcela de empresários que espera mesmo por um novo congelamento e está se precavendo. A conclusão é do consultor de empresas Mário Orlandi, sócio-diretor da Arthur Andersen, que divulgou ontem, em São Paulo, uma pesquisa feita junto a 400 empresas de 10 setores e que formam ativos equivalentes a US$20 bilhões. A pesquisa se refere ao primeiro semestre deste ano e revela que apenas dois setores (máquinas e equipamentos e papel e celulose), dos 10 setores tiveram lucro sobre as vendas (descontados os custos de produção). "Foram justamente empresas de setores que não venderam, porque aquelas que realizaram esforços de venda para buscar capital de giro registraram prejuízo", disse o consultor. A situação mais crítica, segundo a pesquisa, é a enfrentada pelas empresas de eletro-eletrônica e do comércio (O Globo).