Representantes de nações em desenvolvimento da Ásia, África e América Latina criticaram ontem, em Bangcoc (Tailândia), a interferência do FMI e do BIRD na política interna de seus países. As críticas são uma resposta do Grupo de 24 países do Terceiro Mundo (G-24) a um documento do BIRD, divulgado recentemente, que ressalta as virtudes de um "bom governo" para evitar o mau uso de recursos. Em declarações à imprensa, representantes do G-24 disseram que, embora seja preciso capitalizar o clima favorável à paz e ao desenvolvimento surgido com o fim da guerra fria, o Fundo e o Banco Mundial deveriam se limitar a seu papel econômico e financeiro quando discutem com os governos de seus países-membros a adoção de qualquer política. O G-24 pede aos países ricos um ajuste de suas economias e a coordenação de suas políticas para assegurar um crescimento sustentado e abrir os mercados para as exportações do mundo em desenvolvimento. Fontes das duas instituições disseram que o problema maior do Brasil é político e não econômico. Segundo eles, a crise atual seria resolvida quando houvesse manifestação de um desejo político de mudança. "A questão política é complexa e exige um nível de sofisticação que infelizmente não estamos vendo no Brasil", afirmou um membro do FMI que não quis se identificar (O ESP) (O Globo).