Os encontros preparatórios para a Assembléia Anual do FMI-BIRD começa hoje, em Bangcoc (Tailândia), quando representantes do Grupo dos 24 principais países em desenvolvimento (G-24, que reúne oito nações latino-americanas, oito africanas e oito asiáticas) começam a debater as propostas em comum que deverão apresentar no evento. O documento final da reunião do G-24 deverá alertar o FMI e o BIRD para os problemas da escassez de recursos e de investimentos para impulsionar o desenvolvimento do Terceiro Mundo, do protecionismo dos países industrializados e a questão da dívida externa-- que ultrapassa US$1 trilhão--, a principal preocupação destas nações. Os governos do G-24 argumentam que o fardo de suas dívidas impede o desenvolvimento econômico da região. Só a América Latina deve US$420 bilhões, dos quais US$114 bilhões cabem ao Brasil, o maior devedor do mundo, seguido do México, com US$93 bilhões. O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, pediu ontem aos países industrializados que cumpram suas promessas no sentido de aliviar parte da dívida externa dos países em desenvolvimento, conforme as resoluções de várias reuniões de cúpula. Ele pediu ainda que os países industrializados reduzam os investimentos não-produtivos para atender à necessidade de capitais na Europa Oriental, Oriente Médio e outras regiões. Entre esses investimentos, citou as despesas militares e as subvenções à agricultura e à indústria. Sobre o Brasil, o diretor-gerente do FMI comentou que está satisfeito com o andamento das negociações sobre um programa de estabilização. Acrescentou que o acordo pode ser obtido ainda este ano, seguindo-se a liberação de US$2 bilhões, em parcelas, num período de 20 meses. Em Brasília, o presidente do Banco Central, Francisco Gros, considerou positivas as declarações do diretor-gerente do FMI, mas disse que não há nenhuma garantia de que o acordo será realizado. Segundo ele, o desfecho das negociações depende do Congresso Nacional. Gros garantiu que o país conduzirá de forma soberana o projeto de reformas econômicas que pode ou que deseja fazer, "e o Fundo aprovará ou não" (O ESP) (O Globo).