O governador do Paraná, José Richa (PMDB), decidiu encampar o projeto da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP), que prevê a instalação de 3600 famílias de trabalhadores sem-terra em 25 mil dos 28 mil hectares que compõem a faixa de segurança do lago da Hidrelétrica de Itaipu, para preservação permanente com reflorestamento. O projeto da FAEP já foi apresentado há cerca de seis meses para a Itaipu, que o recusou, alegando que existe uma legislação federal que prevê a preservação da área que margeia o lago de Itaipu-- e também de outras hidrelétricas-- com o plantio de matas, para evitar perigo para as usinas (o assoreamento do lago, com areia descendo em direção às máquinas de força). Conforme dados apresentados pelo presidente da FAEP, Paulo Carneiro Ribeiro, a formação do lago Itaipu fez submergir uma área fértil, expulsando várias famílias de agricultores, reduzindo a produção de alimentos e a arrecadação de tributos para o governo estadual. A hidrelétrica, segundo ele, ainda exagerou, desapropriou 225 metros na faixa de segurança, quando poderia ter reduzido para 220 metros. "O Paraná está perdendo com o lago, 210 mil toneladas de grãos que seriam produzidos nessa área". O projeto prevê a produção de arroz irrigado em 25 mil hectares-- 3 mil seriam as áreas em declive que não poderiam ser plantadas-- ao custo de Cr$302 bilhões (JB).