O presidente Fernando Collor, em pronunciamento à nação em rede de rádio e televisão, ontem, exortou todos os brasileiros a participarem do esforço pelo entendimento nacional. "Está na hora, minha gente, de nos unirmos pelo bem do Brasil, pelo bem de cada um de nós. Os brasileiros precisam se entender", disse. Collor afirmou que as disputas e as posições radicalizadas só geram inflação, recessão, quedas de salário e desemprego. Numa avaliação da situação econômica, disse que não há mais lugar para choques. Segundo ele, o único choque cabível é o "choque da verdade". Em seu pronunciamento, o presidente justificou as propostas de reforma constitucional contidas no "emendão" e prometeu zerar o déficit público, hoje de Cr$11 trilhões, até 1993. Collor recorreu a gráficos para sustentar que a Constituição de 1988 agravou o déficit público e reduziu a capacidade de investimentos externos, internos e do governo. O presidente reconheceu que a Constituição "marcou a volta à democracia plena e a consolidação das liberdades públicas", mas considerou excessivo o acúmulo de direitos e garantias inscritos na Carta (O Globo) (JB).