CREDORES EXIGEM QUE BRASIL USE SUAS RESERVAS PARA PAGAR DÍVIDA

Os bancos credores do Brasil lançaram ontem a sua mais forte crítica ao país desde o início das negociações da dívida externa no governo Collor. Querem o uso das reservas brasileiras como garantia do pagamento de juros em um novo contrato. A informação foi dada ontem, em Washington (EUA), pelo Institute of International Finance (IIF), organização privada que faz o papel de porta-voz dos bancos comerciais estrangeiros. O diretor- executivo do IIF, Horst Schullmann, disse que o desempenho passado do Brasil não permite aos bancos assinarem um acordo sem garantia do pagamento dos juros. Em setembro de 1988 o país assinou seu último contrato com os bancos internacionais. Três meses depois, parou de pagar regularmente. A situação está indefinida até hoje. O país tem o maior volume acumulado de juros atrasados do Terceiro Mundo-- US$9,2 bilhões, diz o IIF. O diretor-executivo do IIF recitou três condições a serem cumpridas tanto pelo Brasil quanto pela Argentina. A primeira diz respeito a uma espécie de "limpeza" do passado recente. "Os atrasos nos pagamentos são o primeiro inimigo de um país com relação à sua imagem", disse. A segunda condição é a necessidade de haver um firme compromisso de se fazer uma reforma estrutural e promover uma estabilização. E, segundo ele, para os banqueiros a evidência mais forte disso seria o acerto de um programa com o FMI (Fundo Monetário Internacional). O terceiro ponto diz respeito às garantias de pagamento. "Para nos dar tais garantias, o Brasil deve utilizar suas reservas cambiais; conseguir o máximo de dinheiro de organismos como o FMI, BIRD (Banco Mundial) e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento); e também obter dinheiro bilateral, como por exemplo do Japão. Com isso poderá obter um tratamento mais viável de sua dívida" (FSP) (O Globo).