O ministro das Relações Exteriores, Francisco Rezek, admitiu ontem na CPI da Câmara que investiga do extermínio de menores, que a violência contra os menores no Brasil é uma das questões que mais atingem a imagem do país no exterior. Rezek disse também que nada de verdadeiro se pôde apurar sobre as denúncias de tráfico de crianças com o objetivo de retirar órgãos para transplante. Na sua opinião, a solução para o problema depende muito mais de ações internas do que externas. As declarações do ministro pouca ajudaram no esclarecimento de questões ligadas ao tráfico de crianças brasileiras. Segundo ele, 10 mil menores foram adotados legalmente por estrangeiros entre janeiro de 86 e setembro último. Os países mais interessados foram Itália (38%), França (31%) e EUA (9%). Quanto à adoção ilegal, Rezek disse que é muito difícil estimar o número de casos. O ministro anunciou que o governo estuda a participação de instituições filantrópicas comprovadamente idôneas nos processos de adoção de crianças brasileiras no Brasil e no exterior. Segundo ele, as instituições se responsabilizariam pela adoção e o acompanhamento da criança em seu novo lar. Pesquisas realizadas pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV), da Universidade de São Paulo (USP), revelaram que os principais autores de mortes de crianças na faixa de zero a 10 anos são os seus próprios familiares. De 34 assassinatos desse tipo pesquisados pelo NEV no Estado de São Paulo, entre 1o. de setembro de 90 e 31 de agosto deste ano, 11 foram cometidos por familiares-- o que dá uma médi de um a cada três. Destes, 53% eram do sexo feminino (O ESP) (JB).