A Comissão Empresarial de Competitividade (CEC) propôs ontem ao presidente Fernando Collor um conjunto de medidas para tirar o país da crise. A adoção de contrato opcional de trabalho sem incidência de encargos sociais é a primeira da lista de medidas específicas proposta pelo empresariado, que também defende a redução fiscal nas aplicações financeiras e o redirecionamento do crédito para aplicação em agricultura, construção civil e comércio exterior. Como justificativa para a eliminação dos encargos sociais, o documento compara os custos desses encargos no Brasil, que correspondem a 120% da folha de pagamento das empresas, com a Coréia, onde a relação salário/encargos é de US$7 para US$9. A avaliação da conjuntura econômica feita no documento "Uma Nova Perspectiva para o País" é sombria. O Brasil é visto como uma Ilha de modernidade cercada por um oceano de tradicionalismo". A inversão dessa imagem, segundo o estudo, depende de um choque de oferta. O principal responsável pela crise, avaliam os empresários, é o baixo nível de produção. As medidas propostas pela CEC incluem ainda a extinção da figura de "pré- qualificação" nas concorrências públicas e adoção de "draw-back" interno para aumentar as exportações e o nível de emprego. As propostas gerais incluem a aprovação do "emendão", adoção de um Banco Central independente, reforma tributária, eliminação gradual dos controles cambiais, liberação de preços e aceleração da privatização, entre outras (O Globo).