Dados inéditos sobre a violência no meio rural, afetando inclusive as comunidades indígenas, levaram a Fundação Centro Brasileiro para a Infância e Adolescência (FCBIA) a deduzir que são assassinadas entre quatro mil e cinco mil crianças por ano no Brasil, praticamente o dobro das estatísticas até agora conhecidas e que só abrangiam os grandes centros urbanos. Mesmo com a modificação do perfil estatístico, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco continuam na frente entre os estados que mais maltratam suas crianças. Noventa por cento das vítimas são do sexo masculino e praticamente dois terços são negros. A violência é maior contra adolescentes entre 15 e 17 anos. No Rio de Janeiro, pelo menos 60 crianças e adolescentes (54 meninos) foram assassinados entre junho e agosto deste ano. Os números são do Serviço de Vigilância e Inspenção da 2a. Vara de Menores. Segundo o informe, mais da metade dos homicídios ocorreu na capital. Ontem, em Brasília, o presidente Fernando Collor e o ministro da Saúde e da Criança, Alceni Guerra, receberam a visita do representante especial do setor artístico no UNICEF (Fundo das Nações Unidas para as Crianças), Roger Moore. Acompanhado do representante brasileiro da classe artística no UNICEF, Renato Aragão, Moore pediu a rápida regulamentação do Conselho Nacional da Criança e do Adolescente e afirmou que "a criança brasileira não pode ser vítima da violência e da injustiça". Segundo ele, "é preciso que os agentes secretos-- numa alusão ao personagem James Bond do cinema-- assumam seu papel como inimigos dos exterminadores de crianças" (JB).