Há uma disputa pelo poder no Fórum das Organizações Não-Governamentais (ONGs) Brasileiras, nome que reúne cerca de 800 entidades civis e prepara um mega-evento paralelo à Rio-92. O desequilíbrio de forças que compõem o fórum pende menos para as entidades ambientalistas e mais para os grupos que representam movimentos sociais. "É uma briga pela hegemonia", diz Fabio Feldmann, deputado federal (PSDB-SP). Os ambientalistas dizem que estão perdendo espaço para representantes do movimento social. Um indicador disso, afirmam, são as entidades que foram escolhidas para representarem o Brasil na Conferência de Paris, que acontecerá em dezembro. A CUT (Central Única dos Trabalhdores) é uma das 29 entidades escolhidas para o evento de Paris. Grupos afinados com idéias do PT (Partido dos Trabalhadores) também estão na lista. Ambientalistas tradicionais, como a Funatura ou a Biodiversitas, ficaram de fora. Não há consenso, no Fórum, quanto aos mecanismos de conversão da dívida externa, aprovados pelo governo federal, e que, em tese, poderiam beneficiar projetos ambientalistas. "Somos contra os projetos de conversão da dívida", diz Tony Gross, do CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação). Esta é também a posição da CUT, diz seu representante no Fórum, José Carlos Marques. Para a presidente da Funatura, Maria Tereza Jorge Pádua, no entanto, "os projetos de conversão podem significar uma fonte de recursos importante". O diretor do SOS Mata Atlântica e representante da coordenação nacional do Fórum, João Paulo Capobianco, afirma que "as entidades do Fórum entendem que a dívida externa não deve ser paga" (FSP).