GOVERNO DESVALORIZA CRUZEIRO EM 15,1%

Por conta de uma mididesvalorização de 15,1% no cruzeiro, promovida ontem pelo governo, o dólar norte-americano no câmbio comercial, utilizado nas operações de comércio exterior, fechou a Cr$527,00 para compra e Cr$530,00 para venda. Como consequência, também o dólar-turismo teve alta (8%), fechando a Cr$525,00 para compra e Cr$550,00 para venda. No câmbio paralelo, a moeda chegou ao fim do dia valendo Cr$530,00 para compra e Cr$560,00 para venda nas principais praças do país. O grama do ouro também registrou valorização de 12,6%, sendo negociado a Cr$6.390,00. As bolsas de valores também fecharam em alta. A de São Paulo em 1,4%, com o volume de negócios atingindo Cr$10,6 bilhões. A do Rio de Janeiro fechou em 0,6% e o volume de negócios ficou em Cr$5,8 bilhões. O aumento das compras de dólares pelo Banco Central e a consequente subida dos preços da moeda teve como objetivo a recomposição do caixa do país, prejudicado com a diminuição de entrada de dólares, que teria sido provocada pelas dificuldades na privatização da USIMINAS. O BC justificou a medida ainda como forma de incentivar as exportações. Segundo o diretor de Assuntos Internacionais do BC, Armínio Fraga, as reservas internacionais do país sofreram uma redução em setembro não só pela queda da captação de recursos externos e do saldo comercial, mas também por uma série de pagamentos feitos. O Brasil desembolsou US$170 milhões para pagar os juros atrasados do ano passado, US$300 milhões com o pagamento de 30% dos juros do setor público a cargo do BC, outros US$300 milhões para convênios de crédito com países da América Latina e US$100 milhões de juros devidos ao Clube de Paris, totalizando US$870 milhões. A FIPE estima que a desvalorização cambial poderá significar a elevação de 1,5% no índice inflacionário (O ESP) (GM) (O Globo) (JB).