ORÇAMENTO PRIVILEGIA PEQUENOS MUNICÍPIOS

Há uma região privilegiada do Brasil na qual cada cidadão chega a valer até Cr$2 milhões para o governo federal e dificilmente vale menos do que Cr$100 mil. A região contrasta com outra, na qual os cidadãos valem, em média, apenas Cr$300,00 e, com muito esforço, alcançam Cr$700,00 ou Cr$1 mil. Esse mapa do Brasil invertido foi denunciado ontem pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP). De posse dos dados do orçamento federal deste ano, ele fez um cálculo do custo per capita de cada município para o governo federal e chegou a gastos de bilhões de cruzeiros em cidades quase sempre com menos de 20 mil habitantes. O "ranking" do custo per capita é encabeçado pela cidade de Curral Velho (PB). Cada pessoa, dos 3.923 habitantes do município, custou para o governo Cr$2,1 milhões. O gasto, nesse caso, justifica-se. A maior parte do dinheiro se destina à construção de barragens para hidrelétrica, com custo de Cr$7,8 bilhões. É também o caso das cidades de Santana, Mangueira (PB) e Jagaribe (CE). Já o Município de Serra Dourada, com 17.162 habitantes, recebeu Cr$6,1 bilhões somente para infra-estrutura urbana. Cada cidadão custou ao governo Cr$362,1 mil. Em compensação, os 382.287 habitantes de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, com sérios problemas de infra-estrutura urbana, favelas e alto índice de criminalidade, custaram ao governo apenas Cr$314,00 cada um. Cada um dos 5.487.364 habitantes do Município do Rio de Janeiro custou Cr$716,00 aos cofres públicos. São Paulo, com 9.700.111 habitantes recebeu Cr$13,2 bilhões. Cada habitante custou pouco mais de Cr$1 mil (O Globo).