Os salários pagos no meio rural, na média brasileira, tiveram no primeiro semestre deste ano aumento acima da inflação. Em termos reais, as remunerações dos trabalhadores agrícolas aumentaram entre 13,3% (administradores e tratoristas) e 18,7% (diaristas). Os trabalhadores qualificados (mensalistas) ganharam mais 17,9%. Apesar disso, a mão-de- obra do campo continua recebendo, comparativamente, muito menos do que a do setor urbano. Em junho, a média das diárias rurais, a seco (sem alimentação), foi igual a Cr$1.039,00, ou seja, apenas a terça parte do que auferia, na mesma ocasião, um empregado diarista no setor urbano do Rio de Janeiro, por exemplo, asseguradas suas refeições e com jornada de no máximo oito horas. Já a duração média do trabalho do bóia-fria gira em torno de 10 horas, sendo bem mais duras suas condições de trabalho. Essas conclusões são da pesquisa "Preços médios dos salários e de serviço na agropecuária", realizada pelo Centro de Estudos Agrícolas (CEA), da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Segundo o estudo, no caso das remunerações dos trabalhadores mensalistas, o menor crescimento em termos nominais, no período, foi observado no Estado de Alagoas, com aumento de apenas 72%, bem abaixo da média nacional de crescimento, que foi de 134%. Já o maior aumento foi registrado em Minas Gerais, com 160% nominais (GM).