O relatório que levará a posição oficial do Brasil à Rio-92 já tem conteúdo definido. O Brasil vai apostar no seu estoque de recursos naturais para garantir uma boa posição nas negociações internacionais que envolvem ambiente e desenvolvimento. Abrigo natural de 20% das espécies animais e vegetais do planeta, o país vai tentar contrapor esse patrimônio a dados econômicos e sociais constrangedores, como 32 milhões de crianças e adolescentes vivendo em situação de extrema pobreza e renda mensal abaixo de um quarto do salário-mínimo para 40% das famílias. O documento alinha os créditos ambientais e os débitos sociais na busca de um ponto de equilíbrio. O resultado é um painel de problemas e a constatação de que não há como pensar num modelo de desenvolvimento que leve em conta a proteção do ambiente, "se não contiver uma solução para os graves desequilíbrios provocados pelas situações de pobreza extrema e de iniquidade sócio-econômica que caracterizam a sociedade brasileira neste final de século". O secretário da ONU para a Rio-92, Maurice Strong, chega amanhã ao Brasil. Em uma semana, ele visita Cuiabá (MS), São Paulo (SP), Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ), verificando os preparativos para a Conferência, conversando com autoridades, empresários e lideranças políticas e também fazendo campanha: Strong é candidato a secretário- geral da ONU, cuja escolha deve se dar entre outubro e novembro (O ESP).