Em carta dirigida em abril ao prelado dos franciscanos, Hermann Schalueck, e divulgada ontem pelo jornal espanhol "El País", o frei brasileiro Leonardo Boff admite haver renunciado à luta pelos postulados da Teologia da Libertação. "Conseguiram matar minhas esperanças. Eu desisto. A Companhia de Jesus e o Santo Ofício venceram", escreveu. Boff, afastado em março pela Igreja Católica da atividade de professor, critica duramente o Vaticano e alguns bispos brasileiros "de linha conservadora". No Rio de Janeiro, o cardeal-arcebispo Eugênio Sales comentou: "Não dou maior importância a esse desabafo. A Igreja é que tem sido vítima de frei Boff". Para o sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), "uma das boas coisas que o Brasil tem chama-se Leonardo Boff. Sob todos os aspectos porque ele é uma pessoa boa, porque seu trabalho e obra são inovadores e com isso provoca tantas reações velhas, da velha ordem, exatamente porque incomoda. Por isso, a Igreja é absolutamente intolerante com Boff. As reações contra ele são as reações contra a própria mudança". A Teologia da Libertação é uma corrente polêmica na Igreja Católica que surgiu em 1968, durante a 2a. Conferência Geral do Episcopado Latino- Americano, em Medelím, Colômbia. Propõe um novo modelo de igreja, menos hierarquizada, mais participativa e aberta no diálogo com outras religiões. Centra as suas atenções nos pobres e prevê, ainda, a participação da mulher na revisão das posições tradicionais da Igreja (JB).