O presidente Fernando Collor disse ontem que "as cenas que o país assistiu estarrecido mostraram uma ação de foras-da-lei, que têm a mais absoluta repulsa da sociedade". O presidente se referia aos incidentes ocorridos anteontem em frente ao prédio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), onde seria realizado o leilão de privatização da USIMINAS. Collor disse ainda que fica patente mais uma vez "a obrigatoriedade do respeito às urnas, que aprovaram o programa de privatização". O governador em exercício do Rio de Janeiro, Nilo Batista, determinou a abertura de inquérito para apurar os incidentes. Segundo ele, "o Estado adotou as providências cabíveis para garantir a realização do leilão e proteger a manifestação, esta garantida pela própria Constituição Federal". O presidente do BNDES, Eduardo Modiano, descartou mudanças na legislação que regulamenta o processo de privatização da siderúrgica. "As decisões do Judiciário reforçam a posição do governo e indicam que estamos agindo em bases legais". Modiano anunciou a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que indeferiu o mandado de segurança contra a realização do leilão, como mais uma vitória favorável à venda da USIMINAS. A nova data do leilão será definida hoje. Em Nova Iorque (EUA), o adiamento do leilão provocou queda de 4,25 pontos (uma perda de 10,6%) nos títulos da dívida externa brasileira. Em Londres (Inglaterra), o principal jornal econômico, o "Financial Times", fez o seguinte comentário: "Se Charles de Gaulle estivesse ontem no Brasil, ele veria a confirmação de seu comentário feito há mais de 20 anos: este não é um país sério". Em São Paulo, o presidente da CUT, Jair Meneghelli, disse que "a classe trabalhadora deve fazer tudo o que estiver ao seu alcance para impedir a privatização da USIMINAS. Ele lembrou que a CUT não tem ascendência sobre a direção sindical dos metalúrgicos de Ipatinga (MG), onde está a USIMINAS. "Mas se pudesse falar aos trabalhadores, eu recomendaria até a ocupação das suas unidades para impedir a privatização, se marcarem nova data para o leilão", disse (GM) (O Globo) (FSP).