O relatório brasileiro para a Rio-92, que será encaminhado à ONU, ficou pronto ontem. Depois de fazer, em cinco capítulos, uma radiografia do país, o trabalho-- intitulado "Desafios ao desenvolvimento sustentável"-- defende uma mudança nas relações internacionais e condena, por exemplo, as cláusulas de condicionalidades ambientais nos empréstimos de agências financeiras a países em desenvolvimento: "Tais critérios têm que existir primeiramente como decisão política da sociedade em questão; como imposição, prestam-se a possíveis manipulações no complexo espectro das relações de dominação entre países", defende o documento. O novo texto-- quatro vezes menor do que a versão preliminar-- propõe soluções globais, entre elas uma melhor distribuição dos benefícios do desenvolvimento, para a solução de problemas ecológicos. A pretexto de "enxugar" o relatório, a Comissão de Redação eliminou as críticas ao processo de ocupação da região Norte, especificamente ao projeto Calha Norte e à ação de empresas estatais, como a CVRD e o Projeto Carajás, que eram, inicialmente, responsabilizados pelo genocídio de índios. O Brasil aproveita o relatório para defender a Internacionalização, de fato, das organizações intergovernamentais, que tendem a cristalizar a distribuição de poder entre as nações" e a criação de mecanismos que favoreçam a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento (O Globo).