O presidente Fernando Collor afirmou ontem, ao abrir os debates da 46a. Assembléia-Geral da ONU, em Nova Iorque (EUA), que "existe uma ameaça concreta à estabilidade e à segurança da comunidade internacional no desequilíbrio crescente entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento". Num pronunciamento de 29 minutos, Collor celebrou o fim da luta ideológica mas frisou que a crise dos países pobres cria uma situação paradoxal. "É como se caminhássemos, simultaneamente, para o congraçamento na liberdade e para a separação na desigualdade", comparou. Collor explicou que, ao mesmo tempo em que reclama uma nova ordem econômica internacional, o Brasil reconhece ser sua "a obrigação de ordenar a situação interna". E sintetizou a posição do governo brasileiro: "Ao mundo, nada pedimos que não estejamos dispostos a dar e nada propomos que não estejamos dispostos a fazer". O presidente rejeitou, no entanto, as fórmulas prescritas pela comunidade financeira internacional. "O Brasil é um país demasiado complexo para ser tratado com receitas padronizadas", salientou. "Não há fórmulas mágicas nem milagres econômicos", afirmou. Ao criticar as desigualdades entre países ricos e pobres, Collor apontou como causa "a permanência do problema agudo da dívida, que drena capitais escassos dos países em desenvolvimento". O presidente Fernando Collor dedicou ainda cerca de 50 linhas de seu discurso ao meio ambiente. Ele observou que "cabe advertir que a atividade política da construção da paz não se opera no vazio; ela depende do desenvolvimento econômico, o qual, por sua vez, depende de modelos ambientalmente sustentáveis. Não podemos ter um planeta ambientalmente sadio num mundo socialmente injusto". Sobre a Rio-92, Collor pediu aos chefes de Estado e de governo que ajudem a transformar a Conferência num palco de decisões fundamentais nas áreas ambientais e econômicas, deixando-se de lado as "cobranças e recriminações" que vêm emperrando as discussões sobre esses assuntos. Collor disse também que o Brasil é favorável à extinção da Resolução 3.379 da ONU que considera o sionismo uma forma de discriminação e racismo. Com essa atitude, o Brasil alinha-se aos EUA, Europa e URSS, que estão patrocinando o fim da resolução. A revisão da resolução de 1975 deverá ser feita até o final da Assembléia-Geral deste ano, em dezembro (O ESP) (GM) (JB).