O diretor-geral da Polícia Federal, Romeu Tuma, afirmou ontem que houve uma trama organizada dentro do Ministério da Economia, na gestão da ex- ministra Zélia Cardoso de Mello, para favorecer nove pessoas, três empresas exportadoras e quatro corretoras no escândalo do café. Tuma não citou nomes, mas disse que os participantes do golpe são ex-assessores com a acesso a informações sigilosas sobre a suspensão das exportações em março deste ano. "A ministra admitiu que houve abuso de confiança", declarou. Para Tuma, a versão de vazamento de informações foi criada para proteger o grupo: "Era um ajuste final para justificar que não estavam comprometidos". A divulgação pela imprensa brasileira do relatório sobre as especulações com café feitas por brasileiros na Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque representou uma violação do Memorando de Entendimentos firmado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Commodity Futures Trading Comission (CFTC), que previa o sigilo sobre o documento. Apesar disso, a CFTC, que elaborou o documento, não quer se envolver na confusão surgida no Brasil e sustenta que a responsabilidade legal pela quebra do sigilo é da CVM (O ESP) (JB).