A Comissão Mista do Orçamento do Congresso Nacional aprovou ontem requerimento conjunto do senador Eduardo Suplicy e do deputado Aloísio Mercadante, ambos do PT de São Paulo, que convoca a ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, para responder a uma série de acusações sobre a sua atuação no Ministério. Suspeitas de enriquecimento ilícito surgiram depois que a ex-ministra deixou o cargo. Ela ficou mais de quatro meses sem trabalhar e, mesmo assim, viajou durante 40 dias ao exterior, reformou dois imóveis de sua propriedade e criou o Instituto Brasil. Zélia terá de responder ainda a acusações de que teria deixado vazar informações antecipadas sobre a suspensão das exportações de café, o que teria favorecido a amigos seus. O presidente Fernando Collor recomendou ao diretor da Polícia Federal, Romeu Tuma, que "coloque na cadeia todos os envolvidos" no escândalo do café. Tuma disse que o presidente não quer que fique a impressão de que o governo está acobertando quem se beneficiou de informações privilegiadas para ganhar dinheiro em negócio com café na Bolsa de Nova Iorque (EUA). A PF ouvirá todos os envolvidos, prometeu o delegado. De acordo com documentos da CFTC, entidade que fiscaliza as operações com commodities nos EUA, o empresário Pedro Henrique Mellão, amigo da ex- ministra, teve lucro de US$168 mil, através da compra e venda de 130 contratos de café em apenas seis dias, em março último (O ESP) (JC) (JB).