O presidente Fernando Collor afirmou ontem que, na sua busca pelo entendimento nacional, não pretende abrir mão do seu poder, ao contrário do que pretendem alguns políticos. "Eu não abro mão de ter a caneta para fazer jus ao mandato que recebi", disse. Ele negou ainda ter proposto governo de coalizão e, embora tenha admitido casos de corrupção no governo, garantiu que eles estão sendo Implacavelmente punidos". Num retrospecto do processo do entendimento, Collor disse que espera vê-lo concluído com a aprovação do "emendão", através de acordo com governadores, presidentes e líderes de partidos, além de empresários e trabalhadores. O presidente Collor foi aconselhado pelo governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), a desconfiar do apoio que Orestes Quércia (presidente do PMDB), Tasso Jereissati (presidente do PSDB) e Antônio Carlos Magalhães (governador da Bahia pelo PFL) estão oferecendo ao programa de entendimento nacional. Brizola acusou os três de tentar "pegr uma carona" na crise brasileira para tomar conta do governo. Brizola recomendou especial cuidado com Quércia. "Ele deve ser questionado quando fala em corrupção no governo. Acho que seria bom ele tratar de limpar a própria testada primeiro", disse (O Globo) (JB).