O PROJETO DOS CIACS ESTÁ CERCADO DE CRÍTICAS

Planejado para ser uma marca do governo Collor e promover "revolução" no ensino, o projeto dos CIACs (Centros Integrados de Apoio à Criança) começa a sair do papel cercado de críticas. Os governadores desconfiam dos custos para mantê-los, os empreiteiros não se interessam pela obra e os educadores criticam a falta de um projeto pedagógico, maior preocupação do ministro da Educação, José Goldemberg. O primeiro dos cinco mil CIACs ficará pronto no dia 30 de setembro na Vila Paranoá, bairro pobre perto da Casa da Dinda, residência do presidente, em Brasília. O outro CIAC está em construção em Canapi (AL), terra natal da primeira-dama Rosane Collor. "Quero criar uma armadilha para o meu sucessor. Antes de fazer uma usina nuclear, ele terá que atender aos anseios das crianças", disse Collor ao ministro da Saúde e da Criança, Alceni Guerra, encarregado da obra. A armadilha vai custar caro. Só no próximo ano, o governo deverá gastar Cr$346 milhões na construção de 900 CIACs e mais Cr$40 milhões em sua manutenção. Além disso, a manutenção custará por ano pelo menos US$282 mil, despesa que assusta muitos governadores e prefeitos, temerosos de serem as primeiras vítimas da armadilha dos CIACs (O Globo).