PETROBRÁS PERDE BILHÕES COM A COMPRA DE NAVIOS

Construir navios para a PETROBRÁS tem sido um excelente negócio paara a debilitada indústria naval brasileira. Abandonado nos últimos anos pelo governo, o setor passou a ter na estatal uma garantia de sobrevida para a maior parte dos estaleiros brasileiros, com encomendas que têm causado grandes prejuízos à empresa, segundo documento da própria estatal. Dos 21 navios encomendados pela PETROBRÁS nos últimos 11 anos, apenas cinco foram entregues, mesmo assim em prazos e com preços bem maiores que os fixados nos contratos. As outras encomendas estão divididas entre cinco estaleiros do Rio de Janeiro, a maioria sem previsão de prazo de entrega. Entre os prejuízos contabilizados pela PETROBRÁS está o do navio Candiota, encomendado ao Estaleiro Emaq em setembro de 1981, e que ficou pronto somente em dezembro do ano passado. Com o atraso, além dos gastos com o fretamento de um navio por prazo semelhante, a PETROBRÁS desembolsou mais US$10,3 milhões pelo navio. Com os navios Carangola e Cantagalo, também encomendados ao Emaq na mesma época, aconteceu a mesma coisa. Somandos, os três navios já estão custando à PETROBRÁS US$112,1 milhões, cerca de US$25 milhões a mais do que o valor inicial dos contratos. O Brasil gasta cerca de US$4 bilhões por ano com fretes marítimos, dos quais apenas 15% (US$600 milhões) com navios próprios, apesar de a indústria naval do país amargar ociosidade de 80%. Essa aparente contradição, entre a falta de embarcações e a quase falência do setor, revela uma crise de difícil solução. Atualmente, os estaleiros nacionais sobrevivem às custas das encomendas feitas pela PETROBRÁS (O ESP).