EMPRESÁRIOS PROPÕEM MAIOR AUTONOMIA PARA A AMAZÔNIA

Os representantes da indústria, do comércio, da agricultura e dos transportes do Brasil estão reunidos desde ontem, em Belém (PA), com o objetivo de definir as diretrizes que pretendem ver adotadas para a região Amazônica. Promovido pelas confederações dos quatro setores da economia, o seminário-- Eco-Amazônia-- termina hoje com um documento a ser apresentado durante a Rio-92. Quase todos os discursos alertaram para interesses no Primeiro Mundo, que, segundo afirmaram, têm investido contra a imagem do Brasil, de modo a retirar do país a soberania sobre a Amazônia. Objetivos políticos ou econômicos estariam sendo mascarados por argumentações ambientalistas. "A Amazônia pertence aos brasileiros", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará, Fernando Flexa Ribeiro, durante a abertura. "Aos amazônidas cabe soberanamente a definição do próprio destino", afirmou. O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), senador Albano Franco (PRN-SE), afirmou que a sobrevivência da floresta amazônica, extremamente frágil, depende do manejo inteligente de seus recursos, com o emprego de corretivos de solo e de fertilizantes. Ele também disse que o crescimento anual de madeiras chega a ser 16 vezes superior em florestas plantadas do que nas naturais, o que comprova a necessidade de se manejar a região. Segundo ele, sobre tais recursos "não pode haver ingerência estrangeira por melhor intencionada que seja". O presidente da CNI não concorda com a Frente Parlamentar da Amazônia, que pediu no Congresso Nacional a demissão do secretário nacional de Meio Ambiente, José Lutzenberger, considerado "um instrumento da internacionalização". "Lutzenberger tem o respeito de quem lhe conhece. O governo federal está atento à questão amazônica. Não vejo maiores perigos", disse Albano Franco (GM) (FSP).