Se depender das igrejas cristãs, a campanha internacional sobre a Amazônia vai aumentar. Mobilizar a opinião pública internacional para confrontar governos, multinacionais e bancos dos países industrializados para reorientar as políticas de desenvolvimento e de financiamento na Amazônia, é uma das recomendações do documento final da Consulta Econômica Internacional sobre a Amazônia, encerrada ontem, em Belém (PA). O encontro foi promovido pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, com o apoio do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), e reuniu 75 pastores e agentes pastorais católicos, luteranos, presbiterianos, metodistas, episcopais anglicanos e cristãos reformados, 25 dos quais estrangeiros. O documento final da Consulta-- que servirá de base para a posição dos movimentos cristãos na Rio-92-- protesta contra a situação de violência social no interior da Amazônia e a exclusão e o empobrecimento dos migrantes que foram para a região incentivados pelo governo. Condena o Poder Judiciário que "alcança com suas punições os empobrecidos, mas dificilmente alcança o opulento". Defende a reforma agrária e a demarcação das terras indígenas. Critica os projetos de desenvolvimento que "visam o mercado externo e não levam em consideração e desperdício e o valor econômico do meio ambiente" (FSP).