A segunda safra agrícola do governo Collor está sendo plantada sem perspectivas para que o país saia do déficit agrícola. A crise é traduzida no desembolso para comprar alimentos. De janeiro a julho, para uma inflação de 123,6% (IGP), os preços dos produtos agrícolas no atacado subiram 177,9%. No ano passado também houve diferença: 1.470% para a inflação e 2.100% para os preços dos alimentos. A pressão que o custo da comida exerce na inflação ficou conhecida por "choque agrícola". Em 1992 os números apontam para o terceiro ano consecutivo de choque agrícola. As vendas de insumos e as intenções de plantio das cooperativas sinalizam a possibilidade de ocorrência climática satisfatória e liberação de crédito na época certa, para colheita próxima a 63 milhões de toneladas. No caso de adversidades no tempo e atraso do dinheiro, a hipótese é a de repetição dos números da última colheita (57 milhões de toneladas) (FSP).