Durante o mês de agosto, 26 menores com idades entre sete e 17 anos foram mortos nas ruas de São Paulo, numa "guerra" registrada diariamente nos boletins policiais da cidade. Outros sete menores foram feridos a bala, três sofreram torturas em cárcere privado e 260 acabaram detidas pela Polícia Militar, acusadas de infringir as leis. Nessa "guerra", os rapazes com 16 e 17 anos formam o grupo mais agressivo e, ao mesmo tempo, o mais agredido. Entre os 26 mortos em agosto, 18 estavam nessa faixa (72% do total). Entre os detidos pela PM no mesmo mês, 50% eram jovens dessa idade. O que mais chama a atenção na lista de mortos de agosto é o fato de incluir dois garotos de 12 anos. O espaço da rua é dominado pelos homens. As mulheres respondem por apenas 7% do total das infrações cometidas em agosto. Mas foram maioria entre as vítimas de agressões de adultos ou de outros menores. Entre 33 crianças e adolescentes que a PM socorreu, 20 eram do sexo feminino. Elas foram estupradas, torturadas, espancadas e feridas a faca ou a bala, em suas casas ou nas ruas (O ESP).