O secretário nacional de Meio Ambiente, José Lutzenberger, qualificou ontem, em Genebra (Suíça), de "babacas" os generais que alertam contra os riscos de internacionalização da Amazônia. Ele disse que a Rio-92 "não será um tribunal contra o Brasil". Garantiu ainda que sairá do governo se a ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, for nomeada embaixadora para a conferência. Depois de um discurso durante a reunião do comitê preparatório da Rio- 92, Lutzenberger criticou duramente as declarações do general Thaumaturgo Sotero Vaz, chefe do Comando Militar da Amazônia, que chamou os ecologistas da ONU de "babacas". "Não me interessa o que esses babacas estão dizendo. Não vale a pena contestar. Se eles nos chamam de babacas, eles é que são babacas", disse Lutzenberger. Mestrinhos da vida, continuou o secretário, referindo-se ao governador da Amazônia, Gilberto Mestrinho (PMDB), "e outros estão achando que esta conferência é contra o Brasil. Não é verdade. Essa não é uma conferência brasileira sobre a Amazônia ou um tribunal contra o Brasil. É uma conferência da humanidade em que nós, brasileiros, temos o privilégio de sermos anfitriões. Aqueles deputados que falam na internacionalização da Amazônia são ridículos", afirmou. Sobre a posição da delegação brasileira, que tem criticado o Banco Mundial e outros organismos por Imporem limitações aos países receptores de financiamento", Lutzenberger afirmou que considera "formidáveis" as condicionantes. "Não gostaria de ver esse dinheiro ser empregado na construção de novas Itaipus, Tucuruis ou Polonoroestes. E sei que o presidente Fernando Collor tampouco quer isso", disse (JB).