O titular da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), Pedro Paulo Leoni Ramos, admitiu ontem frente à Comissão de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados que usou Cr$3,8 bilhões este ano em investimentos secretos para o desenvolvimento de tecnologia nuclear. Ele disse que os gastos têm amparo legal. "As despesas são sigilosas uma vez que estão voltadas para o desenvolvimento de tecnologia de ponta, não disponível no mercado internacional, fato que atrai o interesse de outros Estados". disse. O orçamento da SAE para a área nuclear este ano é de Cr$12,5 bilhões. Leoni Ramos disse que a Lei 4.118, de 1962, que criou a CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), contempla o tratamento sigiloso de informações nessa área. O titular da SAE apoiou a sugestão de que a Comissão de Defesa Nacional passe a fiscalizar, em caráter sigiloso, a utilização das verbas secretas do governo. "É público que a Secretaria almeja que o Congresso Nacional fiscalize, objetiva e sistematicamente, as atividades da SAE, sobretudo aquelas que se traduzem como trabalho de inteligência e de aplicação de verbas sigilosas", afirmou (FSP) (GM).