ANTIGOS DONOS EXPULSAM LAVRADORES DE TERRAS COMPRADAS POR FURNAS

FURNAS-Centrais Elétricas está criando problemas para centenas de trabalhadores rurais de 44 terrenos comprados pela empresa, em 1987, no noroeste do Estado do Rio de Janeiro, para a construção de três barragens a partir de 1994. Uma das cláusulas da escritura de compra permite que os antigos proprietários continuem usando as terras e mantendo a exploração da mão-de-obra. Com isso, vários agricultores estão sendo expulsos das áreas da empresa pelos ex-proprietários. "A situação desrespeita o artigo 22 da Constituição Estadual, que estabelece que o governo reinstale toda a população atingida pela obra", denuncia o presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, deputado Aloísio de Oliveira (PDT). Ele prometeu cobrar de FURNAS uma posição sobre o assunto. Mais de cinco mil famílias de pequenos proprietários, arrendatários, posseiros e meeiros vivem nos 118 quilômetros que serão inundados pelo Complexo Hidrelétrico do Noroeste Fluminense. As terras compradas por FURNAS até agora para a construção das barragens representam menos de 5% da área total a ser inundada que abrange os municípios de Santo Antônio de Pádua, Itaocara, Três Rios, Sapucaia e Cantagalo, além de cinco municípios de Minas Gerais. A primeira barragem a ser construída será a de Simplício, com início das obras marcado para 1994. Nos anos seguintes serão instaladas as de Sapucaia e Itaocara, que vão gerar energia para o eixo Rio-São Paulo (O Dia).