BRIZOLA QUER PROMOTORES EM "BATIDAS" POLICIAIS

O governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), afirmou ontem que está em entendimento com o Secretário de Polícia Civil e de Justiça, Nilo Batista, para que as "batidas" policiais nas favelas só sejam feitas com a presença de representantes do Ministério Público e "pessoas respeitáveis da cidade". Como exemplo dessa última categoria, o governador citou o sociólogo Herbert de Souza e o secretário extraordinário de Defesa e Promoção das Populações Negras, Abdias do Nascimento. Brizola argumentou que o método das "batidas" tem eficácia duvidosa, pois não tem dado resultado no combate à criminalidade. Brizola acrescentou que as favelas não podem ser encaradas pela população como nações estrangeiras, sujeitas a invasões para o combate ao tráfico de
40399 drogas, já que a maioria de seus moradores é decente. O sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), considerou louvável a idéia do governador, agradeceu a lembrança de seu nome e garantiu que estará lá "espiritalmente". "É importante a presença de um representante da sociedade nessas "batidas" nos morros, a fim de evitar que haja violência contra a população, pelo menos até que reeduquemos toda a Polícia", disse. "Agradeço o fato de o governador ter pensado no meu nome mas lembro que tenho certas limitações físicas, já notórias, que me impedem de participar fisicamente. Espiritualmente estarei lá. De qualqer maneira, estou à disposição do governador para fazer uma lista com o nome de 20 pessoas que poderiam participar das "batidas", afirmou Herbert de Souza (O Globo).