Os EUA não querem que os governos mais ricos liberem dinheiro para novos fundos de preservação da natureza nos países em desenvolvimento. Em contrapartida, sugerem que estes países aceitem mais investimentos privados direcionados para programas de meio ambiente, e exigem que "a política da dívida externa continue a ser orientada por considerações econômicas e financeiras". A posição norte-americana, externada ontem durante a reunião preparatória da Rio-92, em Genebra (Suíça), recebeu críticas de representantes de mais de 100 países que participam da elaboração da pauta de trabalho. A liberação de recursos internacionais a fundo perdido e a vinculação da dívida externa à questão ambiental estão entre as principais reivindicações dos países em desenvolvimento. Cálculos apresentados pela delegação brasileira mostram que apenas o consumo de petróleo nos 25 países mais ricos resultaria numa arrecadação de quase US$14 bilhões por ano. Outra forma de captar recursos seria a emissão de títulos com prazo de 30 anos. Uma terceira maneira seria a adoção de um "selo verde", que poderia ser usado em 431 bilhões de cartas por ano. Os recursos assim arrecadados poderiam ser aplicados em projetos de saneamento básico urbano, despoluição de águas, controle de dejetos químicos, saúde e educação, contribuindo para a erradicação da miséria (JB).