Um documento reservado do Conselho de Segurança Nacional dos EUA confirma a participação do governo norte-americano e de entidades particulares daquele país nos programas de redução da natalidade em 13 países do Terceiro Mundo, nas duas últimas décadas. O Brasil, segundo o documento, é considerado uma região estratégica para os interesses comerciais norte-americanos e deve merecer atenção especial. A Sociedade Civil do Bem Estar Familiar (BEMFAM) é a principal entidade nacional para a implementação dessa política, através de financiamentos da International Planned Parenthood Federation (IPPF). O dossiê, que ficou secreto de 1974 até o ano passado, foi entregue ontem pelo jornalista mexicano Geraldo Lima Corenzo Carrasco Bazua à deputada estadual Lúcia Souto (PCB), presidente da CPI da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro que apura a grande incidência de esterilização no Rio. Bazua trabalha para a revista "Executive Intelligence Review", que teve acesso ao documento meses atrás. O documento revela que a política de controle populacional foi implantada com financiamento de órgãos oficiais, como a Usaid (Agência para o Desenvolvimento Internacional) e entidades privadas. Segundo ainda o documento, os artífices desse trabalho teriam sido Henry Kissinger quando chefe do Conselho de Segurança Nacional; Brent Sowcroft, assessor de Segurança Nacional da Caasa Branca, atual chefe do CSN; e o ex-diretor da Agência Central de Inteligência e atual presidente dos EUA, George Bush. A novidade é a comprovação dessas conexões visando à imposição
40374 externa da política de controle populacional, disse Lúcia Souto, que pedirá à embaixada dos EUA o original do dossiê (O Globo).