COMANDANTE DA AMAZÔNIA ATACA ECOLOGISTAS

O chefe do Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia (CMA), general Thaumaturgo Sotero Vaz, 58 anos, disse anteontem que as Forças Armadas não vão permitir que a Organização das Nações Unidas (ONU) patrocine e apoie projetos de transferência de excedentes populacionais da Ásia para a Amazônia. Sotero Vaz disse ainda que as Forças Armadas "não vão permitir" que a ONU aprove durante a Rio-92 moções de soberania restrita da região e crie nações indígenas sob sua "égide". O chefe do CMA não falou que existem projetos formalizados de transferência de asiáticos para a Amazônia. Suas declarações se referem ao debate sobe a competência do Brasil de manter preservada a Amazônia e a sobrevivência dos índios sem apoio internacional. Esses temas foram levantados na última reunião dos sete países mais ricos (G-7) e deverão ser discutidos durante a Rio-92. Ele diz que quando o Exército fala em "vietnização" da Amazônia significa que está preparado para defender a região como se fosse contra guerrilheiros. "Eu vou ser bem claro: se esses babacas tentarem entrar aqui, nós vamos cair de porrada neles como guerrilheiros", afirmou Sotero Vaz, pouco depois de citar o G-7 e os nomes do presidente da França, François Mitterrand, e de Ted Kennedy, senador norte-americano do partido democrata. Kennedy apresentou proposta ao presidente Fernando Collor, durante a última viagem aos EUA, de demarcar uma área contínua para os índios Yanomani em Roraima. O presidente francês defendeu a transformação da Amazônia em patrimônio universal. O Comando Militar da Amazônia é vinculado diretamente ao Alto Comando do Ministério do Exército. Sua função principal é defender as fronteiras do Brasil com a Colômbia, Peru, Venezuela, Guiana e Bolívia (FSP).