ESTATAIS SUSTENTAM SINDICATOS CONTESTADOS NA JUSTIÇA

As estatais paulistas do setor de energia elétrica-- ELETROPAULO, CESP e CPFL-- estão ajudando a sustentar cinco sindicatos, uma federação e uma confederação de eletricitários cuja existência legal é contestada por uma bateria de ações judiciais. Algumas dessas entidades mal saíram do papel, mas desde 1990 receberam, em dinheiro de hoje, cerca de Cr$52,5 milhões do imposto sindical pago pelos funcionários. Essa estrutra começou a ser montada no final de 1989 com a criação de cinco sindicatos municipais de eletricitários no interior do estado, na base do Sindicato dos Eletricitários de Campinas, que existe desde os anos 50. Os novos sindicatos foram batizados de Sindluz e fundados num feriado. Há indícios de que tenham sido patrocinados pela própria CPFL: dias após a criação do Sindluz, a estatal pagou honorários aos advogados que assessoraram as assembléias de fundação. O sindicato de Campinas, filiado à CUT, conseguiu barrar nos cartórios e no Ministério do Trabalho o registro dos Sindluz de Campinas, Ribeirão Preto e Araraquara, mas não os de Bauru e São José do Rio Preto. Em março de 1990, os cinco Sindluz deram novo passo. Juntaram-se ao Sindicato dos Eletricitários de São Paulo-- dirigido durante 12 anos pelo ministro do Trabalho, Antônio Rogério Magri, e até hoje recebe sua influência-- e fundaram uma federação estadual, a Federaluz. A federação também esbarrou numa entidade mais antiga, a Federação dos Urbanitários de São Paulo, presidida por um desafeto de Magri, Rubens Fandino, que também foi à Justiça. O processo está no começo, mas a Federaluz já recebeu do imposto Cr$47,7 milhões. Em maio último, a Federaluz fundou uma confederação nacional, a Confeluz (O ESP).