EMENDÃO RECEBE CRÍTICAS

A proposta do "emendão" de transferir 40% dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)-- provenientes do PIS/Pasep-- do BNDES para os governos estaduais deixou o presidente do banco, Eduardo Modiano, surpreso e "decepcionado". Ele apresentou uma proposta alternativa: o BNDES continuaria recebendo os recursos e com eles financiaria investimentos nos estados que cumprirem rigorosamente o acordo de ajuste com o governo federal. O Ministério da Economia ficou de estudar a proposta. Os recursos do FAT representam hoje 50% do orçamento do BNDES e caso sejam retirados do banco o setor privado deixará de receber US$1,5 bilhão em créditos para investimento. A proposta também recebeu críticas dos empresários do setor industrial. Para o diretor do Departamento Econômico da FIESP, Walter Sacca, a decisão é "lamentável" e repetirá os governos anteriores. "Mais uma vez recursos criados para uma finalidade são usados para outra", disse. Para o presidente em exercício do SINDIMAQ (Sindicato das Indústrias de Máquinas e Equipamentos), Mário Munhaimi, a proposta é "uma grande incoerência". Segundo ele, a medida, se aprovada, desestimularia os investimentos. Já o vice-presidente da ABDIB (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Indústria de Base), Omar Bittar, "se o corte de recursos for muito grande, teremos desemprego". Isso é terrorismo econômico, reclamou o deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-SP), indignado com a insinuação de que o governo pretende condicionar a rolagem das dívidas dos estados ao apoio dos governadores ao emendão. "Somos independentes e não aceitaremos isso", garantiu Ulysses. O governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (PFL), disse que apóia algumas mudanças propostas, mas considera que outras têm de ser repelidas. Os pontos mais criticados do "emendão" são os que prevêem o fim da estabilidade dos servidores públicos e da aposentadoria por tempo de serviço. Segundo as informações, sinais de apoio ao "emendão" vieram apenas dos credores da dívida externa-- banqueiros e organismos financeiros internacionais (O ESP) (GM) (JB).