BRASIL OFERECE AOS CREDORES BÔNUS DOS EUA

A boa receptividade, junto aos credores, do novo plano brasileiro para
40267 dívida externa tem uma explicação: o Brasil se propõe a oferecer bônus
40267 do Tesouro dos EUA como garantia de novos títulos que serão trocados pela
40267 dívida. Essa é uma das novidades da proposta que hoje entra em nova
40267 rodada de negociações com o comitê dos bancos credores, em Nova Iorque.
40267 Se o plano do governo Collor for aceito, o país ganhará folga razoável
40267 no pagamento aos credores privados até o final da década. O total de
40267 bônus do Tesouro norte-americano a ser comprado pelo Brasil dependerá da
40267 escolha que os credores fizerem entre cinco opções apresentadas na mesa de
40267 negociação, das quais apenas duas envolvem concessão de garantias. Outra
40267 das opções, o chamado bônus de dinheiro novo, prevê que os bancos farão
40267 empréstimos novos ao país, em montante proporcional à parcela da dívida
40267 convertida em títulos. Por causa das diferenças entre os títulos, o
40267 montante final de redução da atual dívida também dependerá da escolha
40267 dos credores. As cinco opções poderão ser negociadas no mercado secundário. No discount bond, o banco substitui o papel antigo por um novo, com valor menor, diminuindo o estoque da dívida brasileira. No "par bond", não existe redução do principal, mas da taxa de juros do papel, que passa a ser fixa e inferior à taxa de mercado até o fim da vida do título. A proposta inclui ainda o "front load interest reduction bond", um papel que tem juros reduzidos nos seus primeiros seis anos de vida e sofre aumento a partir do sétimo ano. Para os bancos que não acreditam na necessidade de redução da dívida, foram sugeridos dois outros instrumentos: o "bônus de redução de juros" e o "new money bond". O bônus com redução de juros é como o instrumento anterior. Tem taxa de juros reduzida nos seis primeiros meses, crescendo a partir do sétimo. Mas a diferença entre este juro mais baixo e o final é incluída no bolo da dívida. Ou seja, não existe redução do montante total a ser pago. Já o "new money bond", o credor pode trocar a dívida antiga por um papel novo, de mesmo valor, desde que forneça recursos novos ao país, em uma proporção fixa do volume que está sendo trocado (JB) (O Globo).