GORBACHEV FORMARÁ GOVERNO COM YELTSIN

Em sua primeira entrevista coletiva após o frustrado golpe de Estado, o presidente soviético Mikhail Gorbachev anunciou ontem maior cooperação com o líder da resistência e presidente da Federação Russa, Boris Yeltsin, com quem se reunirá, hoje, para discutir os rumos e os nomes de um governo de confiança nacional. Gorbachev agradeceu o empenho do povo soviético e disse que o objetivo dos golpistas era quebrar o seu moral e obrigá-lo a transferir o poder legalmente, sob o argumento de problemas de saúde. Mas ele se recusou todo o tempo em que esteve preso na Criméia. Cinco membros da junta foram presos e o ministro do Interior, Boris Pugo, se suicidou, depois de ter tentado matar também a mulher. Cerca de 100 mil voltaram a se concentrar ontem em frente ao Parlamento russo para o comício da vitória. Gorbachev não compareceu, deixando as honras para Yeltsin. Os manifestantes derrubaram a estátua de Felix Dzerjinski, fundador da Cheka (atual KGB). A Rússia adotou sua bandeira pré- revolucionária e a Lituânia colocou o Partido Comunista (PC) na ilegalidade. O governo japonês anunciou a liberação de US$100 milhões para o governo soviético, assim que este país retorne à normalidade. O empréstimo visa a compra emergencial de alimentos e a promoção do intercâmbio de técnicos. Também o governo da Arábia Saudita anunciou a liberação de um empréstimo de US$1,5 bilhão à União Soviética. O empréstimo, metade para reforço da balança de pagamentos e a outra metade para financiamento de projetos, havia sido prometido ao governo soviético, no ano passado, em razão de seu apoio durante a crise no Golfo Pérsico (JC) (GM) (FSP).