Trinta e sete jovens doentes mentais, despidos e sujos, são mantidos numa cela sem iluminação do Instituto Maria José, em Petrópolis (RJ), sob a vigilância de um funcionário. A denúncia foi feita ontem pelo juiz da 1a. Vara de Infância e Adolescência, Liborni Siqueira, que entregou um dossiê sobre as condições de 20 entidades de atendimento ao menor do estado à Comissão dos Assuntos da Mulher, da Criança e do Adolescente, da Assembléia Legislativa. Fechado por seis meses em 1979, o instituto abriga 300 crianças em condições sub-humanas: dopadas, imobilizadas durante a noite e sem tratamento adequado. "Entidades como Maria José e Saramanguá, também em Petrópolis, são verdadeiros depósitos", disse o juiz. Para Liborni Siqueira, a grande maioria das entidades visitadas deveriam ser fechadas. Ele propõe como alternativa a declaração de Incapacidade civil" dos internos, principalmente doentes mentais, que assim receberiam verba mensal vitalícia da Previdência Social e poderiam custear o próprio tratamento (O Dia).