RICOS E POBRES DIVERGEM SOBRE A CARTA DA TERRA

Mais de 100 países participantes da reunião do Comitê Preparatório da Rio-92, em Genebra (Suíça), começaram ontem a debater a Carta da Terra. A carta contém princípios e obrigações para garantir que o planeta continue a ser habitável no século XXI, e deverá ser adotada pelos chefes de Estado presentes à conferência do próximo ano. Na mesa, além do documento elaborado pelo Comitê Preparatório, uma proposta do Peru e do Canadá. Através de 27 artigos, o Peru quer principalmente garantir os direitos soberanos dos países para explorar seus recursos naturais, mas com a "responsabilidade de assegurar que não causem danos ambientais". Os canadenses, por sua vez, querem uma carta pequena de apenas oito artigos, que garanta a preservação de "espaços de domínio público". "Ninguém sabe o que isso quer dizer", admitiu um delegado do Brasil que, como a maioria dos países em desenvolvimento, teme a aplicação deste conceito em seus próprios territórios. Atualmente, somente o alto mar e o espaço são assim classificados. Outro ponto comum entre os países em desenvolvimento é a necessidade de que a Carta da Terra cite o papel da cooperação internacional na luta contra a pobreza-- descrita como a causa principal da degradação ambiental nos países mais pobres (JB).