O presidente Mikhail Gorbatchev foi deposto do governo da União Soviética. O anúncio foi feito às quatro horas da manhã, sob a alegação de que Gorbatchev estava Impossibilitado de desempenhar suas funções devido a problemas de saúde". O vice-presidente Gennady Yanayev assumiu o governo, junto com um comitê de linha dura, integrado entre outros pelo ministro da Defesa, marechal Dimitry Yasov, o chefe da KGB, Vladimir Kryutchkov, o ministro do Interior, Boris Pugo, o presidente da União dos Camponeses da URSS, V. Starodubtsov e A. Tisiakov, presidente da Associação das Empresas Estatais. O novo presidente e a Junta decretaram estado de emergência por seis meses em algumas regiões, "para evitar o estado de anarquia no país". Gorbatchev estava em férias em Hagra, na Crimea, e deveria voltar hoje a Moscou para dar forma definitiva ao Novo Tratado da União, uma tentativa de impedir a divisão da URSS. Ele estava ausente de Moscou desde quatro de agosto, quatro dias depois de, junto com o presidente dos EUA, George Bush, ter firmado o tratado de controle de armas. A tomada de poder na União Soviética acontece três dias após um ex- assessor direto de Gorbatchev, Alexandre Yakolev, renunciar ao Partido Comunista, anunciando que os conservadores, em desespero, tentariam um golpe de Estado para deter as reformas de Gorbatchev. Os novos dirigentes soviéticos comunicaram que a decisão de impor o estado de emergência tenta evitar o que chamaram de "catástrofe" e garantir a legalidade e a ordem. "Um perigo fatal está pendendo sobre a União Soviética. O país está ingovernável", disseram. Todos os poderes foram transferidos, por um período de seis meses, a um comitê estatal, que vai governar o país durante a vigência do estado de emergência. O comunicado justifica o estado de emergência, "para superar crise profunda que afronta a União Soviética". Cerca de 50 veículos blindados para transporte de tropas, com soldados armados com fuzis de assalto, cercaram o Parlamento da Rússia. Os governos dos EUA, da França e da Alemanha informaram que estão aguardando o desenrolar dos acontecimentos na União Soviética para divulgarem comunicados oficiais sobre o golpe de Estado (O Globo) (JB).