A Polícia Federal e a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) em Porto Velho (RO) investigam a utilização de estradas dentro da reserva indígena dos Surui, próximo a Cacoal, como rota de narcotráfico. A suspeita de que a reserva de 247,86 mil hectares esteja servindo como passagem de drogas para traficantes veio na semana passada com a descoberta de um índio Surui viciado em cocaína. O índio Mario Surui, 20 anos, ficou internado um dia na Casa do Índio em Porto Velho para tratamento de saúde. Ele está dependente da droga e foi mandado de volta para a aldeia, onde está sob os cuidados de sua tribo. Vivem na reserva cerca de 600 índios, distribuídos em seis aldeias, sob a liderança do cacique Itabira Surui. Segundo o administrador da FUNAI, Samuel Vieira da Cruz, o órgão está tentando convencer o cacique a liberar a entrada de indigenistas, assistentes sociais, psiquiatras e agentes da PF para fazer um diagnóstico nas aldeias. O presidente da UNI (União das Nações Indígenas), Marcos Terena, disse que não descarta o uso de territórios indígenas como rota do narcotráfico, nem que mais índios "possam estar dependentes da cocaína". Segundo Terena, medidas preventivas do governo federal "poderiam ter evitado problemas desse tipo". Terena culpou o governo federal por não cumprir acordo com o BIRD (Banco Mundial), de preservação das tribos indígenas, quando da construção, financiada pelo banco, da rodovia BR- 364, que liga Cuiabá (MT) a Porto Velho (RO). Marcos Terena afirmou que o governo, "que tem a responsabilidade de proteger as nações indígenas, é que abre caminho, com sua omissão, para acessos indesejáveis, como os dos traficantes" (FSP).