De 10 mil a 30 mil famílias de Porto Velho (RO) vivem do narcotráfico. O fim do tráfico de drogas nesta capital poderá aumentar a miséria nos bairros da periferia e, consequentemente, a criminalidade, acreditam o curador da Infância e da Juventude do Estado de Rondônia, promotor Wilson Donizetti, e o presidente da Associação de Pais e Amigos de Toxicômanos (Apatox), pastor José Rogério de Melo. De acordo com as estatísticas oficiais, 100 mil menores de Porto Velho são de famílias carentes e 30% vivem na mais absoluta miséria. Deste total, 10% a 30% encontram no tráfico de cocaína a única forma de sobrevivência para suas famílias. Assim, no mínimo, 10 quilos de cocaína são vendidos por dia nas ruas de Porto Velho, no chamado tráfico-formiga. Segundo o promotor, três mil crianças, entre seis e 11 anos, são dependentes da droga. "É preciso impedir que o traficante chegue aos jovens antes da escola e do professor. Esta solução é mais barata que a de reforçar o aparelho policial, mas não dá votos". Para o promotor e o pastor, a única solução seria o governo destinar mais recursos para os serviços assistenciais comunitários, educação básica e profissionalizante e para o lazer da juventude (JC).