MAIORES EMPRESAS TIVERAM PREJUÍZO EM 1990

O Plano Collor não poderia ter sido pior para as 500 maiores empresas do país: em 1990, o lucro de 389 delas atingiu Cr$1,2 trilhão, mas o prejuízo das outras 111 foi maior, Cr$1,4 trilhão, levando a um resultado negativo de Cr$200 milhões. As estatais concentraram os maiores prejuízos, mas grandes e sólidos grupos privados como Varig, Rhodia, Bayer e Caterpillar também acabaram fechando no vermelho. Outras como a Companhia Distribuidora (Disco) e Irmãos Lundgren (Casas Pernambucanas), não escaparam sequer do pedido de concordata. O relatório anual das 500 maiores sociedades anônimas do país está para ser editado pelo 22o. ano consecutivo e nunca tinha registrado antes um desempenho geral negativo. Ou seja, desde que o Centro de Estudos Empresariais (CEE) do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) passou a fazer esse tipo de levantamento, as 500 maiores, no conjunto, sempre apresentaram lucro. O "ranking" das 500 maiores não trouxe novidades no que se refere às duas primeiras colocações, tradicionalmente obtidas pela PETROBRÁS e pela CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). No âmbito dos estados, houve uma redução da participação das empresas de São Paulo e do Rio de Janeiro e crescimento das do Espírito Santo e de Minas Gerais. Em relação ao grau de endividamento, para cada Cr$100,00 de capital próprio, Cr$87,00 estavam comprometidos com terceiros. A margem operacional de lucro teve uma queda de 26,2%, em 1989, para 4,1% em 1990 (O Globo).