PADRE FAZ DENÚNCIA NA CPI DO EXTERMÍNIO DE CRIANÇAS

O padre Júlio Lancelotti, um dos coordenadores da Pastoral do Menor de São Paulo, denunciou ontem o envolvimento de juízes na adoção irregular de crianças. Segundo ele, a Pastoral já identificou três juízes no estado que Induzem" mães a doarem seus filhos para casais estrangeiros. Lancelotti disse que a Pastoral divulgará os nomes assim que concluir levantamento do assunto. A denúncia foi feita durante seu depoimento à CPI do Congresso Nacional que investiga o extermínio de crianças. O padre informou também que o extermínio de crianças e adolescentes no Rio de Janeiro e em São Paulo aumentou este ano, principalmente de meninas, negros e jovens entre 15 e 17 anos. No ano passado, por exemplo, o Rio registrou 480 mortes de menores-- as meninas representavam 13% dos assassinatos. Só no primeiro semestre deste ano, o índice subiu para 23%. Os menores negros aumentaram sua participação de 75% para 82% e os adolescentes entre 15 e 17 anos, que em 1990 representavam 73% dos mortos, este ano passaram a 86%. O levantamento está sendo feito pelo Centro de Articulação das Populações Marginalizadas do Rio de Janeiro (Ceap/RJ). Segundo Júlio Lancelotti, as denúncias foram encaminhadas à Anistia Internacional, pois "as providências só aparecem com pressão internacional" (FSP) (JB).