A audiência pública para discussão do relatório brasileiro à Rio-92, transmitida ontem por circuito interno de TV para todas as capitais do país, decepcionou os poucos interessados em colaborar. Ao custo de Cr$3,3 milhões, a audiência foi resumida a "um monólogo, em que ouvimos sem poder responder", disse João Paulo Capobianco, da Coordenação Nacional do Fórum das ONGs (Organizações Não-Governamentais). Participaram da audiência pública seis representantes do governo envolvidos na elaboração do Relatório Nacional do Brasil para a Rio-92. Mais de 200 questões formuladas previamente por telex foram ignoradas e não houve oportunidade de réplica por parte das pessoas que assistiam à sessão nos esvaziados auditórios da EMBRATEL. Esta fórmula foi criticada pelo deputado federal Fábio Feldmann (PSDB-SP). Ele lembrou que havia um acordo prévio com a presidente do IBAMA, Tânia Munhoz, para que as perguntas fossem feitas ao vivo. Em Brasília, a preocupação com a Amazônia dominou a audiência. A maioria das perguntas foi sobre a internacionalização da região, o desenvolvimento auto-sustentável, o abandono, a caça desenfreada e a exploração madeireira. No Rio de Janeiro, o representante do Fórum das ONGs, Liszt Vieira, disse que entidade reivindicará do governo federal a realização de uma nova audiência para que seja discutido o relatório final do Brasil para a Rio- 92. A FBCN (Fundação Brasileira para Conservação da Natureza) e a CNDDA (Comissão Nacional de Defesa da Amazônia) pediram ao IBAMA que realize uma reunião mensal entre ONGs e os governos estaduais e federal para manter a comunicação entre cidadão e governo. As críticas também se estenderam ao conteúdo do relatório preliminar. Segundo Capobianco, a resolução da ONU que orienta a elaboração dos relatórios sugere um breve diagnóstico e um amplo prognóstico da situação do país, o que não foi feito. Somente as sugestões consideradas pertinentes-- isto é, que retifiquem conceitos ou informações-- deverão ser incluídas no relatório final que, segundo a definição do ministro Luís Felipe Macedo Soares, secretário-executivo da Comissão Interministerial preparatória da conferência (CIMA), será "um livro não muito longo, que tenha unidade e seja legível". Em São Paulo, o secretário estadual de Meio Ambiente, Alaor Caffé Alves, também propôs a realização de outra audiência pública sobre o documento, "com a participação de delegados da comunidade civil organizada, incluindo as universidades, bem como representantes dos governos estaduais e municipais" (O ESP) (GM) (FSP) (JB).