Num mundo cada vez mais marcado por diferenças econômicas entre países
39970 ricos e pobres, fica difícil pensar na democracia, pois a maioria da
39970 população não tem condições sequer de pensar. A fome do Sul pobre e o
39970 esbanjamento do Norte rico do planeta são dois aspectos da mesma
39970 realidade: a má distribuição da riqueza. Estas são algumas das questões tratadas no debate do 1o. Encontro Internacional de Organizações Não-Governamentais e Agências do Sistema da ONU, que se realiza no Rio de Janeiro. Participam do encontro 50 organizações do Norte, 30 da América Latina e 120 brasileiras. As ONGs são entidades independentes, sem fins lucrativos, que se espalham pelo mundo elaborando ou financiando projetos de desenvolvimento comunitário. No Brasil, surgiram durante a ditadura militar e realizaram centenas de projetos. Segundo Herbert de Souza, do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas)-- que, junto com o ISER, FASE e Centro Luiz Freire, e outros, organizou o encontro-- na época em que os governos militares mandavam para fora nossas riquezas e contraíam imensa dívida externa, as organizações independentes trabalhavam no sentido inverso. "Elas captaram milhares de dólares empregados aqui", afirma. Um documento lido no encontro ontem resume a visão de mundo das ONGs. Segundo seus representantes, neste momento o capital promove intenso processo de reconcentração de riqueza, do saber e do poder. "As decisões que afetam nossa realidade de vida escapam do âmbito nacional e concentram-se em mãos de poucos governos e corporações multinacionais", afirma o documento. Dentro deste quadro, vivemos uma crise de civilização, que devasta o planeta e exclui a maioria da população dos direitos
39970 básicos. Assim, desenvolvimento de um lado passa a significar exclusão
39970 social do outro, dizem os representantes das ONGs. Mais de um quinto da população mundial sobrevive com menos de um dólar
39970 por dia. A metade deste total está morrendo de fome. Num mundo capaz de
39970 produzir tanta riqueza, a morte de cidadãos por inanição é uma tragédia
39970 inconcebível, afirma Max Van Den Berg, secretário-geral da NOVIB, uma ONG holandesa. Segundo ele, a pobreza não é um desastre mundial; é um trabalho do homem. Já que há recursos suficientes para garantir a sobrevivência digna de toda a humanidade, o problema é a má distribuição de riqueza. Segundo Van Den Berg, a pobreza extrema em alguns países e o consumo exagerado em outros são duas faces da mesma moeda (JB).