O evento "Terra e Democracia", que no ano passado reuniu cerca de 200 mil pessoas no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro (capital), e este ano seria iniciado no próximo dia 11, em sete pontos diferentes, foi cancelado por falta de patrocínio. "Quisemos dar um vôo grande, aí veio uma tesoura e foi nos cortando as asas aos poucos", disse o diretor-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Herbert de Souza, idealizador do projeto. Segundo ele, faltou o mínimo de infra- estrutura, como luz, som, palco e segurança. Para sair do papel e voltar a ser o que era, o "Terra e Democracia" precisa de pelo menos Cr$225 milhões, sendo Cr$45 milhões destinados à primeira semana no Arpoador e ao pagamento da equipe de 150 pessoas, que se mobilizou durante os últimos três meses. De acordo com Herbert de Souza, faltou apoio das prefeituras das cidades onde o evento seria realizado e das empresas, como a Pepsi, que disse que patrocinaria todo o evento e depois informou que "não tinha condições de dar nada". Também a Coca-cola se comprometeu com US$30 mil, o que cobriria apenas 70% do projeto "Satélite Terra Limpa". "Esse mundo das empresas se move através de interesses que não têm afinidade com o espírito do Terra e Democracia", disse Herbert de Souza. Quanto às prefeituras, a do Rio de Janeiro montou e desmontou, sem explicação, um palco no Arpoador. Dos Cr$20 milhões prometidos, apenas Cr$5 milhões foi liberado. A prefeitura de Niterói, por sua vez, prometeu dar metade dos recursos necessários para palco, luz e transporte, mas, segundo Herbert de Souza, "de metade de um parto não nasce uma criança". O tema deste ano do "Terra e Democracia" era os meninos de rua. Herbert de Souza informou que apenas um evento está garantido para o dia 22 de setembro no Aterro do Flamengo e que os compositores e cantores Chico Buarque, Aquiles, Gil, Caetano Veloso, entre outros, gravarão um disco cuja renda será destinada a atividades esportivas com os meninos de rua (JB).