RELATÓRIO PRELIMINAR DA RIO-92 É CRITICADO EM AUDIÊNCIA

A primeira versão do relatório que o governo brasileiro encaminhará para a Rio-92 foi criticada ontem em audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo. O presidente da CETESB (Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo), Walter Lazzarini, disse que o governo não apresentou as propostas que pretende defender. "Esse relatório mostra apenas subsídios técnicos para elaborar o relatório final". Para ele, além do governo não ter ouvido as entidades civis e ambientalistas durante a preparação do relatório, não há garantia quanto ao que o governo vai propor. No Rio de Janeiro, o ambientalista Liszt Vieira, do Fórum Brasileiro das ONGs (Organizações Não-Governamentais), disse que o governo e as ONGs devem estabelecer uma relação permanente para a elaboração de novas estratégias de desenvolvimento econômico compatíveis com a proteção ambiental. Vieira representou o Fórum na audiência pública regional. Ele criticou a atual política ambiental do governo, "que restringe-se ao tratamento exclusivo dos efeitos ambientais dos processos econômicos". As ONGs acusam o relatório preliminar de passar uma "visão desenvolvimentista". Amanhã, dia da audiência nacional, o Fórum pretende divulgar uma carta contestando a falta de divulgação do documento preliminar e de discussão prévia com a sociedade. A carta pede que uma nova plenária seja convocada até o dia 15, para que toda a sociedade possa ser mobilizada (FSP) (JB).